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Padrão Fabril
05.03.2001

Construtora Marques opta por procedimentos da construção racionalizada para reduzir prazos e custos de manutenção em obra no Morumbi.

Na construção do Ciudad Real, na região do Morumbi, a Construtora Marques adotou projetos racionalizados a fim de facilitar o desenvolvimento da obra e reduzir custos com manutenções futuras. As dimensões do terreno, de 4.014 m², permitiram uma distribuição dos edifícios a fim de aproveitar o restante da área para implantação dos equipamentos de lazer, indo de encontro a anseios detectados em estudos de mercado. As duas torres do empreendimento foram posicionadas na parte frontal do terreno, enquanto a área de lazer situou-se na região interna. Com esse layout, a construtora eliminou a interferência de pilares de grandes dimensões nas garagens, uma vez que o subsolo logo abaixo dos edifícios foi destinado a depósitos e serviços. Somente os subsolos sob piscinas e quadras foram destinados às garagens. Os pilares de grandes dimensões na região dos estacionamentos dificultam a manutenção, além de serem desconfortáveis aos moradores, diz Flávio Braga, diretor técnico da Marques.

As torres têm 17 pavimentos, com quatro unidades de dois dormitórios por andar. Os apartamentos são de 57 m2, com duas vagas de estacionamento. A Marques, que desenvolve empreendimentos com unidades na faixa de R$ 70 mil a R$ 150 mil, adota procedimentos comuns em todos os seus empreendimentos. Entre eles, Flávio Braga destaca como ponto de partida a execução total do piso do subsolo. Nunca trabalhamos sobre o barro, pois isso atrapalha o andamento do processo, afirma o engenheiro. O terreno local propiciou a execução de sapatas diretas para fundações.

O projeto estrutural definiu a construção de lajes planas com vigas de borda. A construtora vem optando por esse sistema, explica o engenheiro, principalmente por facilitar a execução futura dos acabamentos. As lajes saem com a superfície bastante regular, adequadas para a aplicação direta de piso sem a necessidade de contrapiso. A superfície da laje, de 16 a 18 cm, fica totalmente lisa, diferente do que ocorre no sistema convencional, que requer uma etapa intermediária, explica Braga. Além disso, a existência de vigas e ferragens no sistema de laje convencional impõe muitas interferências e influi na quebra de qualidade do acabamento final.

Ele destaca que estas metas foram colocadas já na etapa de concepção e planejamento da obra, o que inclui a compatibilização do projeto de alvenaria, a fim de evitar quebra e perdas futuras de materiais. A estratégia tem permitido reduzir o tempo de execução dos empreendimentos, que no caso do Ciudad completou 20 meses.

Custos reduzidos. Com experiência nesse segmento, a Marques se preocupou com as soluções de impermeabilização das áreas externas. Para prevenir a ocorrência de infiltrações e, principalmente, facilitar correções, a empresa eliminou o contrapiso de argamassa, executado entre a laje e a manta impermeabilizante. Percebemos que a infiltração ocorre justamente nessa camada, entre a manta e o concreto, na região do contrapiso de argamassa, diz o engenheiro. Quando ocorre a infiltração, ela se espalha pela laje, o que dificulta a localização exata do ponto fissurado. Segundo ele, a solução vai facilitar a detecção de quaisquer pontos de infiltração, permitindo correções pontuais e localizadas.Também no Ciudad Real a Marques empregou tubos de polietileno reticulado para os ramais de distribuição de água até as unidades. O sistema é utilizado em conjunto com equipamentos de medição individual de consumo de água. Os quadros técnicos localizados em cada andar onde estão posicionados extintores, comandos elétricos, telefônicos e hidráulicos são fechados, como prevenção à propagação de incêndio. Preocupada com o aspecto estético, o fechamento dos quadros acompanha os tons e materiais utilizados nas portas (fornecidas em kits prontos para instalação), o que ajudou a manter a homogeneidade visual.

Alguns itens foram inseridos ao projeto valorizando o empreendimento localizado em um dos pontos mais nobres de São Paulo. O projeto arquitetônico providenciou halls com pé-direito alto acoplado a um corredor de 6 m de comprimento. O piso de entrada é em granito e as fachadas combinam pastilhas cerâmicas com mármore travertino. O edifício contém ainda sistema de segurança com monitoração por câmeras de vídeo.

O Ciudad buscou um público específico. O preço das unidades gira em torno de R$ 85 mil. Para desenvolver o empreendimento, a Marques obteve financiamento do Banco Real, utilizando o Sistema de Financiamento Habitacional (SFH) com repasse ao comprador final. De acordo com Rogério Galbier, da área comercial da empresa, foram financiados cerca de 60% dos recursos empregados. Temos adotado esse modelo para todos os nossos empreendimentos com bom resultado. Nos mesmos moldes, a construtora acaba de entregar o condomínio Torres Ferrara, situado na região do Butantã, com unidades na faixa de R$ 77 mil. O financiamento foi realizado pelo Banco Itaú dentro do SFH.Morumbi em foco

Região vem atraindo empreendimentos residenciais, mas falta um plano de urbanização local.

Os arredores do Morumbi, onde se localiza o Ciudad Real, em poucos anos vem trocando de perfil. A região, antes desabitada, vem atraindo um grande número de empreendimentos com características semelhantes: edifícios residenciais, de 12 a 15 pavimentos, com a inclusão de serviços internos. Todos são distantes entre si devido ao coeficiente de zoneamento local. Talvez esse seja o primeiro bairro paulistano que já nasce alto, diz o arquiteto Cândido Malta Campus Filho, membro do Movimento Defenda São Paulo e professor da FAU/USP. Algumas características deverão marcar o bairro, diz ele, como a transparência entre os edifícios, a boa ventilação proporcionada pelo relevo ondulado e vegetação ainda existente, além de altitude elevada em comparação às regiões centrais. O novo bairro, no entanto, não contempla áreas como praças ou passeios públicos. Há um padrão de isolamento não muito desejável do ponto de vista urbanístico, critica Malta. Não há vida nas ruas e os moradores tendem a ficar confinados nos edifícios. Segundo ele, além de ser uma ocupação recente, o problema tem causas mais profundas, como a inexistência de um plano diretor da cidade e, por conseqüência, dos bairros. A urbanização deve ser pensada antes para prever ou depois para corrigir, completa.


Ficha técnica: construção: Marques; projeto de fundações: Apoio; projeto de estrutura: S.V.S.; projeto de arquitetura: Márcio Curi e Azevedo Antunes; projeto de fôrma: Paulo Assahi; projeto de alvenaria: Addor; projeto de instalações hidráulicas/elétricas: Manfredo Rewald; projeto de paisagismo: Ingrid Fischer; aço: Acindar; concreto: Coveg; elevadores: Atlas; kit porta pronta: 3N; tacos de marfim: Madeireira Filgueiras; alumínio: Cerri; metais: Deca; louça: Icasa; piso cerâmica/azulejo: Cecrisa; cerâmica fachada: Gail

 

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